Menu Seleção

domingo, 27 de junho de 2010

1 CORÍNTIOS 13 - O CAPITULO DO AMOR

1 Coríntios 13 é conhecido como o capítulo do amor. Algumas traduções mais antigas trazem a palavra “caridade”. Ocorre que “caridade”, hoje, significa “dar esmolas”, por isso essa tradução não serve mais. O termo para amor, aqui empregado, é agape.

Depois de ensinar a respeito dos dons espirituais em 1 Coríntios 12, Paulo declara: “E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente” (v. 31). Esta é uma sentença de transição. Embora os dons espirituais sejam absolutamente essenciais à igreja, o caminho sobremodo excelente para sua utilização é o amor. Assim, o amor é apresentado, neste texto, não como um dom, mas como um caminho. Alguns coríntios achavam que os possuidores de certos dons eram pessoas extremamente importantes. Mas Paulo afirma que, mesmo que eles tivessem os mais altos dons, e ao máximo, se lhes faltasse amor, não só seriam insignificantes, mas, na verdade, seriam nada (1Co 13:1-2). Podemos ter sucesso, obter bons resultados, ser admirados, apreciados e aplaudidos, mas, sob o ponto de vista de Deus e da eternidade, se nos faltar amor, nada somos. Seremos apenas uma versão moderna do profeta Jonas. Jamais um pregador teve um sucesso imediato tão grande como Jonas. Toda uma grande cidade se converteu. E, contudo, Jonas não amava nenhuma daquelas pessoas. Sua aparente obediência e seu sucesso não brotaram do amor (Jn 3:4–4:3).

Paulo ainda diz: “E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1Co 13:3). Estes dois atos de sacrifício pessoal parecem se aproximar muito do amor prático mais puro e altruísta. Mas “é possível fazer coisas boas para os outros sem os amar, fazer o bem movido por outro motivo que não seja o amor”.5 Pode haver generosidade sem amor. Autodoação sem amor, que busca o louvor, é autopromoção. A pessoa pode dar mais do que as suas propriedades: pode dar a própria vida. Podemos entregar-nos completamente a um ideal, sem contudo fazê-lo por amor. “Dar o próprio corpo por amor é um ato heroico. Mas dar o próprio corpo por amor próprio é um ato de egoísmo”.6 Tais sacrifícios sem amor se perdem. Se o amor é tão necessário, precisamos saber o que ele é. Os versos 4 a 7 retratam o que o amor é, o que o amor não é, e o que o amor é capaz de realizar. Paulo usa verbos que estão todos no presente contínuo, indicando ações e atitudes que se tornam habituais, gradualmente incorporadas através de repetição.

O amor é paciente, tolerante, tardio em irar-se, longânimo. É benigno. Benignidade é parte do fruto do Espírito. É cortesia, gentileza, doçura de temperamento. O amor não arde em ciúmes ou inveja. “O amor não se aborrece com o sucesso dos outros”.7 Não se ufana. Não se vangloria. Não se gaba de suas virtudes, conhecimento e realizações. Não se ensoberbece. “Há muitas maneiras de se mostrar orgulho, e o amor é incompatível com todas elas. O amor se preocupa em doar-se, e não em afirmar-se”.8 O amor é humilde. Mas não confunda humildade com pobreza, ignorância ou timidez. Aprenda a ser humilde com Jesus. Ele disse: “Vinde... e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11:29).

O amor não se conduz inconvenientemente, com arrogância, com soberba. Não se porta de modo vergonhoso, desonroso, indecente. O amor não é rude porque isso fere os outros. Não se porta com grosseria (BLH). O amor tem uma delicadeza que não deseja ferir. Quando percebemos que nosso comportamento ou nossas atitudes estão prejudicando ou magoando alguém, o amor nos impele a eliminar essas trevas internas através da graça do Senhor. O amor não procura seus interesses, antes emprega a renúncia própria. “Insiste no bem-estar dos outros e não na afirmação de interesses próprios”9 (ver 1Co 10:24). O amor não se exaspera, não é mesquinho. Não é difícil conviver com ele. Não irrita nem provoca os outros. “Não torna a vida dos que o rodeiam miserável, por ter um temperamento nervoso”.10 Não tem má vontade, não é explosivo nem brigão; não se ressente do mal. O amor não imputa o mal. Não acumula ódio dos outros nem guarda queixas. “Quem ama não... guarda mágoas” (BLH).

Se realmente amarmos alguém com o amor do Senhor, veremos muito mais sua força e seu potencial, em lugar de seus defeitos e fraquezas. Quando ele fizer alguma coisa, irritando-nos, seremos capazes de tratá-lo dentro do contexto do que ele é em Cristo, em vez de aumentar o que aconteceu, a ponto de monopolizar nossa atenção. A palavra “ressentir-se” significa manter sob registro. Assim, o amor não mantém o registro das coisas ditas ou feitas contra nós. Ele perdoa.


O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. “O amor não se alegra com o mal de nenhuma espécie”.11 Não apoia a injustiça fora ou dentro da igreja. Nem é indiferente quanto a ela.

Não chama o errado de correto. Quando você for tentado a ser omisso diante de uma injustiça, por medo de “ser queimado”, lembre que “um barco está a salvo em um cais, mas não foi para isso que os barcos foram feitos”. Tome posição contra a injustiça, da maneira certa, no momento certo, no lugar certo, diante da pessoa certa. Também há o perigo de nos alegrarmos não com o que é bom e verdadeiro, mas com o que é obscuro e sórdido.

Alguns encontram um falso alívio quando veem os outros fracassando e caindo. Mas o amor anseia ver os outros em pé, crescendo e se entristece quando outra pessoa é derrotada. Alegra-se com os que se alegram e chora com os que choram. Não se entrega a fofocas e cobre uma multidão de pecados. O amor tudo sofre, tudo suporta. Como disse a Madre Tereza de Calcutá: “O amor dói”. “O amor não recua facilmente; aguenta”.12 Não com paciência resignada, mas com fortaleza positiva. Não se deixa vencer. Ele sobrevive à tristeza, à decepção, à crueldade, à indiferença. Continua avançando. Jamais vacila e não desiste.
O amor tudo crê, tudo espera. “Tem uma atitude de confiança para com os outros... Ele prefere crer nas boas intenções dos outros... prefere ser generoso demais a ser desconfiado demais”.13 Leva em conta as circunstâncias e vê nos outros o melhor. O amor retém sua fé. “Está sempre disposto a conceder o benefício da dúvida”.14

Recusa-se a aceitar o fracasso como final.15 Todo fracasso é apenas uma derrota temporária. Com confiança, ele olha para a vitória final pela graça de Deus. No meio de toda a maldade, ele sabe esperar, por causa das promessas de Deus. O amor, esse amor acima descrito, jamais acaba. Aconteça o que acontecer, suportamos firmes porque em tudo há um propósito: Deus está esculpindo em nós a imagem de Seu Filho.

Alguém sugeriu que lêssemos 1 Coríntios 13:4-7 retirando a palavra amor e em seu lugar colocando o nome de Jesus. Leia desse modo. O que você acha? Perfeito! Jesus é a personificação do amor. Agora, leia de novo o mesmo texto e coloque nele seu nome. E então? Esse é o sonho de Jesus para a sua vida. Se você consentir, Ele operará de tal modo em seu coração que um dia você poderá ler este texto, sozinho, e dizer para si mesmo: “Como eu era tão diferente do que aqui está retratado; mas agora, já estou bem parecido”.

Ao introduzir o tema do amor, Paulo o chama de caminho excelente (1Co 12:31). Agora, ao encerrar, ele faz o apelo para seguirmos nesse caminho: “Segui o amor” (1Co 14:1). A ideia é a de ir após, com persistência. Indica uma ação que nunca termina. Seguir o caminho do amor é seguir a natureza do próprio Deus. Nunca devemos cessar de fazer do amor a obra de nossa vida.

Também devemos lembrar que esse amor precisa ser recebido e que ele só é dado aos que se entregam a Deus16. Através de Seu Espírito, que é a fonte dos dons e também a fonte do amor (Rm 5:5), Ele ajuda o homem a demonstrar pelo próximo o mesmo tipo de amor que Ele demonstrou para todos os homens.


DOMÍNIO PRÓPRIO E OS HERÓIS DA BÍBLIA

As narrativas bíblicas contêm exemplos de pessoas que exerceram grande domínio próprio – mesmo com risco de grave perigo ou da perda da própria vida – e também de indivíduos que falharam em exercer o auto-controle.

José possuía controle pessoal. Em certo período de sua vida, ele foi tentado todos os dias pela senhora Potifar. Segundo todas as aparências, haveria vantagens em ceder e sérios riscos em dizer “não”. Além disso, ele nem tinha uma família por perto nem uma igreja para apoiá-lo. Estava sozinho. Contudo, ele possuía uma clara compreensão de quem era Deus e do que era pecado. Ele decidiu recusar e recusou. Disse e fez. Disse “não” e fugiu. Ele não entregou o controle de sua vida a outra pessoa. E se deu mal. Sim, o resultado imediato não foi bom. Foi caluniado e lançado na prisão. Todavia, Deus usou essas mesmas coisas para o seu bem e, alguns anos depois, ele saiu do cárcere para ocupar o posto de governador o Egito, a maior potência daqueles dias. Com isso, aprendemos também a avaliar os resultados de nossas escolhas a longo prazo (Gn 39:7 a 41:44).

Sansão foi um homem forte em força física e fraco em força de vontade. Tinha tudo para dar certo. Foi escolhido por Deus para um trabalho especial mesmo antes de nascer. Seus pais eram tementes a Deus e fizeram o que de melhor poderia ser feito para educá-lo nos caminhos de Deus e prepará-lo para sua missão. Foi abençoado por Deus e frequentemente o Espírito do Senhor Se apoderava dele e lhe concedia extraordinária força física. Mas ele não possuía domínio próprio, especialmente no que se referia ao sexo. Contrariamente à vontade de Deus, casou-se com uma filistéia; depois esteve com uma prostituta; e, mais tarde, juntou-se a outra filistéia: Dalila. No relacionamento com esta, parecia estar enfeitiçado. Não conseguia perceber que as palavras e ações dela claramente atentavam contra a vida dele. Dizem que quem não se governa acaba sendo governado por outros. Assim foi com Sansão. Nas semanas finais de sua existência, foi dominado por seus inimigos, os filisteus. Felizmente, em seu último dia de vida, ele teve um lampejo de lucidez. Percebeu seu erro e decidiu cumprir sua missão, mesmo que perdesse sua vida. Decidiu retirar o controle de sua vida das mãos dos filisteus e assumi-lo. Pediu a Deus que o usasse mais uma vez, só mais uma vez. E Deus o ouviu. (Jz 13-16). É por isso que seu nome pode constar na galeria dos heróis da fé, em Hb 11.

Daniel é um brilhante exemplo de temperança e domínio próprio. Observe o relato bíblico: “Resolveu, Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se.” (Dn 1:8). Daniel não era um jovem de vontade doentia. Não era impulsivo, nem indeciso, nem inconstante. Possuía grande força de vontade. Sabia dizer “não” ao mal, coisa que alguns têm dificuldade em fazer. Durante sua vida ele teve de dizer “não” muitas vezes, inclusive para os homens mais poderosos do mundo. Ele disse “não” ao chefe dos eunucos e ao cozinheiro-chefe quando estes lhe disseram para comer da comida real (Dn 1:8-16). Ele disse “não” ao chefe da guarda, quando este foi encarregado pelo rei de matar os conselheiros, por não conseguirem revelar o sonho e sua interpretação (Dn 2:12-16). Quando Nabucodonozor imaginou que o reino da Babilônia seria eterno, Daniel lhe disse “não”; outros reinos lhe sucederiam e o reino de Deus é que seria eterno (Dn 2:37-44). Quando Belsazar ofereceu a Daniel posições e riquezas para que este interpretasse a escrita na parede, Daniel disse “não”. A interpretação seria gratuita (Dn 5:16-17). Quando Dario promulgou um decreto que proibia se fizesse petição a qualquer homem ou deus, que não fosse o rei, Daniel disse “não”, e foi orar ao Deus Eterno como sempre o fizera (Dn 6:6-10). Qual era o segredo de Daniel? Ele recebera de Deus o dom do domínio próprio e se apoderara dele.

De fato, quando um homem aprende a dominar-se, faz-se capaz de dominar o mundo exterior. Antes disso, nunca. Quando uma pessoa aprende a dizer “não” a si mesma, saberá e terá força moral para dizer “não” a outros, quando necessário.

por Emilson dos Reis

Servindo uns aos outros

Para que serve sua vida? Tem gente que diz: “Ah! Se eu tivesse mais dinheiro, se ao menos eu tivesse mais poder, se eu tivesse mais sucesso, se fizesse mais sexo, se tivesse mais talentos, se fosse mais bonita, etc. ... então, eu seria feliz, tudo ficaria legal em minha vida, as pessoas me amariam, tudo estaria ótimo. Outros dizem: “Se eu fosse mais magro, ou mais gordo, ou mais musculoso, então seria feliz...” Entretanto, as pessoas que conseguem estas coisas concluem que isso não as tornou felizes duradouramente e não trouxe o significado para sua vida como pensavam que traria. Sem as conexões pessoais (de você consigo mesmo), com familiares e sociais em afeto, ternura, misericórdia, compreensão e intimidade afetiva (como Jesus fala em João 17), a felicidade escapa entre os dedos e pela conta bancária.

O Dr. Ornish cita o filósofo Jacob Needleman, que fez o seguinte comentário:
“Há vários anos, perguntei aos meus alunos: ‘O que vocês consideram os principais problemas de nossa sociedade?’. Obtive as respostas usuais: desintegração da família, guerra nuclear, ecologia. Então, alguém disse ‘solidão’. Perguntei: ‘Quantas pessoas aqui se sentem basicamente sós?’. Todos levantaram as mãos. Fiquei estarrecido! Então, perguntei a um outro grupo maior de pessoas, com um espectro mais amplo de tipos, e todas, exceto duas, levantaram as mãos. Assim fiquei interessado na solidão.

Um estudante de trinta e cinco anos de idade proveniente da Nigéria disse: ‘Você sabe, quando cheguei à Inglaterra proveniente da Nigéria, não entendia o que as pessoas queriam dizer quando falavam que estavam sós. Somente agora, depois de estar morando nos Estados Unidos por dois anos, é que sei o que significa estar só.” Na cultura dele, a solidão simplesmente não existia; eles tampouco tinham uma palavra para ela. Havia muito sofrimento, muita dor, muita tristeza, mas não solidão.

O que é essa solidão que estamos experimentando? As pessoas ficam separadas não somente umas das outras, mas também de uma força harmonizadora em si mesmas. Não se trata somente de ‘Eu estou só’; trata-se do ‘Eu’ estar sozinho. Estamos desprovidos de um relacionamento harmonioso essencial com alguma força universal. Para mim, eis por que a solidão é um fenômeno importante que se deve entender.”20

O isolamento pode produzir doença. Podemos nos isolar de nós mesmos, de nossos sentimentos, de nosso interior.

Podemos nos isolar dos outros e de nossa comunhão com Deus.

César Vasconcellos de Souza

Médico Adventista, Psiquiatra Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Membro da American Psychosomatic Society.
Diretor Médico dos Ministérios Portal Natural www.portalnatural.com.br
Professor visitante de saúde mental do College of Health Evangelism e do Institute of Medical Ministry, Wildwood Lifestyle Center and Hospital, Georgia, Estados U
nidos.